6. Impacto Social

Nesta secção não pretendemos defender perspectivas extremistas dos chamados efeitos secundários que possam advir da utilização da televisão interactiva. Pretendemos apenas apresentar diferentes opiniões sobre diversas consequências a nível social de um serviço que se pretende que alcance as civilizações actuais. Para isso transcrevemos algumas opiniões que achámos interessantes.

 

Mas quais as consequências?

 

Manuel Abranches de Soveral:

 “Resumindo e concluindo: dentro de uma década, talvez, teremos dois tipos muito diferentes de receptores dos mass media. Um, mais popular, continuará a assistir passivamente a uma televisão cada vez mais feita à sua medida. Outro, mais evoluído, estará no multimédia, ou seja, terá um televisor ligado ao seu computador pessoal, que lhe dará acesso, na Internet ou noutra rede, a um banco de dados onde pode ir buscar, quando quiser, aquilo que lhe interessa, obviamente pagando, desde as últimas notícias nacionais ou internacionais, programas sobre os assuntos que gosta, o filme X ou Y, ou mesmo determinado livro, que depois pode ou não mandar imprimir na sua lazer caseira…

Também aqui se pode dizer que cada um terá o futuro que merece. É, finalmente, a liberdade na informação; mas uma liberdade que necessariamente pressupõe e exige um tipo diferente e mais evoluído de receptor.

Será, estou em crer e querer, a primeira grande revolução social do século XXI.” [10]

 

Nuno Fórneas, Novabase Sistemas de Informação:

“A médio prazo, a Televisão interactiva tenderá a ficar mais ligada ao lazer do que ao trabalho. Não considero que se possa tornar um hábito alguém realizar pesquisas extensa na Internet através da Televisão, com os restantes elementos da família a quererem ver os programas de televisão.

Naturalmente dar-se-á uma inversão de papéis entre o PC e a Televisão. O PC, hoje associado aos jogos e à diversão, passará a ser uma ferramenta apenas de trabalho, quando a Tv Interactiva permitir "brincar" bem com os jogos e possibilitar participar virtualmente num concurso televisivo, tipo "Quem quer ser milionário", sem ter de aparecer na televisão, por exemplo.

As empresas poderão criar gigantescas bases de dados com as preferências de cada espectador. Com isso será possível sugerir programas ou até executar a gravação automática dos mesmos para que possam ser visionados pelo espectador quando este tiver disponibilidade.

Ao entrar em funcionamento em Portugal a Televisão Interactiva terá naturalmente o custo de uma novidade, o que significa que estará apenas ao alcance de uma faixa média, alta da população, por isso, só com o tempo será um meio massificado. No entanto, não será destes factores que dependerá a sua evolução.

O limite do sucesso da Televisão Interactiva Digital será o imaginário dos operadores de televisão e dos empresários da indústria de conteúdos. O objectivo é que a pequena caixa volte a mudar o mundo.” [11]

 

Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas:

“Apesar de as STBs melhorarem de dia para dia, de serem adquiridas por hotéis e creches, e que a "onda" que rodeia a "interactividade" continue a lançar conceitos como "Web Tv" - um aparelho que permite ao espectadores navegar na web - os investigadores que contactámos não vêem uma viabilidade a longo-prazo, tanto nos aparelhos que tornam o aparelho de TV "mais esperto", tendo em conta que o PC será sempre mais esperto, nem na tentativa de fazer com que os PCs funcionem como uma TV, quando milhões de pessoas já possuem ambos. Finalmente o nosso painel de investigadores frisam o facto que as pessoas assistem TV e utilizam os computadores com objectivos diferentes - e por uma boa razão. A primeira requer que você "vegete", a segunda requer uma participação activa, a primeira permite que aceda a programas já em curso, a última não faz nada até que lhe dêem a primeira ordem. Mesmo assim, muitas multinacionais como a IBM, a Apple, e com afinco e notabilidade, a Zenith, estão a investir em televisores que vêem equipados com modems e ligações Ethernet, levados pela crença de que estes aparelhos ganharão popularidade suficiente que permitam penetrar o mercado em 50% em 5 a 7 anos.” [11]

 

Segundo um relatório da WhiteDot:

“As pessoas, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos, passam um quarto do tempo de vida em que estão acordados, em frente à televisão, para terem a sensação de que estão acompanhados com alguém. Entretanto, tornam-se menos sociáveis com outros seres humanos.

A televisão interactiva tem sido desenvolvida com o objectivo de realmente colocar alguém em casa a acompanhar as pessoas que estão a ver televisão. Oferece escolhas, entretenimento, conveniência e Controlo. Com o toque de um botão podem ter quase todos os produtos e serviços que desejam. Sentados no sofá, os utilizadores já não são apenas telespectadores.

Cada click no controlo remoto é armazenado numa base de dados e analisado para criar uma imagem do utilizador. Depois esse perfil pode ser usado para atingir os utilizadores com técnicas directas de marketing, através da televisão, telefone ou e-mail. A televisão será capaz de mostrar algo ao utilizador, observar a reacção dele e depois mostrar outra coisa, moldando o utilizador ao agrado dos fornecedores de serviços.

A televisão Interactiva pode ser usada para invadir a privacidade das pessoas. A qualquer organização ou governo que queiram pagar, a televisão interactiva pode construir perfis psicológicos dos utilizadores à distância. O que é que os motiva, o que lhes provoca ansiedade, o que os faz felizes. Esse conhecimento pode ser usado para manipular o que eles sabem, como se sentem e o que fazem.

Isto é onde a próxima geração de seres humanos vai viver: dentro de um ciclo de persuasão, observação, refinamento, e nova persuasão. Pode ser agradável! Pode ser diabólico! Mas seja o que for, não é democrático!” [12]

 

 

 

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