|
DVB-T |
|
De todas as soluções DVB de transmissão de conteúdos até casa, DVB-T (transmissão terrestre) corresponde ao caso que desperta mais atenção. É a solução já adoptada por quase toda a Europa em países como a França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e mesmo fora da Europa em países como a Austrália, Singapura, Taiwan entre vários outros. Curiosamente em Portugal o processo de adopção esteve em curso mas não foi concluído, por isso ainda não esta disponível. A maior diferença em relação as outras soluções DVB está no desafio de DVB-T vir substituir um sistema analógico de televisão distribuído por todo um país, ou seja, DVB-T deverá ser um sistema de massas, não muito de domínio privado mas sim de domínio governamental do próprio país. Tecnicamente também existem diferenças substanciais em relação as outras soluções DVB. O DVB-T utiliza o sistema de modulação Orthogonal Frequency Division Multiplexing (OFDM), cujo princípio se baseia na divisão de um débito binário elevado por um conjunto de portadoras ortogonais que pode ir até alguns milhares. Cada portadora transporta apenas uma parte do TS a transmitir, a um ritmo binário muito mais reduzido do que o débito total do TS. O sinal OFDM usado em DVB-T resulta da soma de todas as portadoras, moduladas em QPSK, 16QAM ou 64QAM. Note-se que estes tipos de modulações podem ser obtidos através da multiplicação da portadora por um número ou factor complexo determinado pela combinação de bits a transmitir [6,7]. Deste modo, o sinal OFDM é basicamente gerado em 3 passos fundamentais: (i) mapeamento das combinações de bits atribuídas a cada portadora, em factores complexos que definem o símbolo a transmitir por cada uma; (ii) multiplicação desses factores pelas portadoras respectivas; (iii) soma de todos os produtos obtidos anteriormente [10]. Um sinal OFDM caracteriza-se facilmente nos domínios do tempo e da frequência: (i) na frequência consiste num conjunto de portadoras adjacentes, moduladas por pulsos correspondentes aos símbolos que cada uma transporta; (ii) no tempo consiste em conjuntos de símbolos transmitidos sequencialmente. Um símbolo OFDM corresponde ao conjunto de símbolos transportado por todas as portadoras durante o tempo de duração de um símbolo. A figura 3 ilustra de forma simples as várias dimensões de um sinal OFDM. A combinação de OFDM com códigos de detecção e correcção de erros resulta na designação de Coded OFDM (COFDM).
Figura 3 - Sinal OFDM no tempo e na frequência
A modulação OFDM juntamente com a codificação de canal que é semelhante a utilizada para DVB-S já vista anteriormente, possibilita o serviço DVB-T ter diferentes características técnicas que lhe oferecem bastante flexibilidade:
· Opção em 3 tipos de modulação (QPSK, 16QAM, 64QAM). · 5 tipos diferentes de ritmo associado ao FEC (forward error correction). · 4 opções de intervalo de guarda. · A hipótese de 2K (2048) ou 8K (8192) portadoras. · Possibilidade de operar em canais com largura de banda de 6, 7 ou 8 MHz (com vídeo a 50 Hz ou 60Hz).
Utilizando diferentes combinações destes parâmetros uma rede DVB-T pode ser projectada para atingir os requisitos de cada operador, encontrando o equilíbrio entre a robustez e capacidade. As redes podem ser projectadas para fornecer diferentes serviços como SDTV, rádio, serviços interactivos, HDTV e até transmissão de dados por IP, usando encapsulamento multi-protocolo. Embora não projectado inicialmente para receptores móveis, a performance do DVB-T é tal que a recepção móvel não é somente possível mas tornou-se a base de alguns serviços comerciais. O uso da diversidade no receptor com duas antenas oferece um melhoramento típico de 5dB em casas e uma redução de 50% dos erros no carro. O sistema DVB-H, destinado aos terminais portáteis, foi criado baseando na excelente performance do DVB-T. O uso da modulação OFDM com um intervalo de guarda apropriado permite ao DVB-T fornecer uma ferramenta valiosa para os reguladores e operadores na forma de rede de frequência única (SFN – single frequency network). Uma rede de frequência única é uma rede onde um número de transmissores opera na mesma frequência. Enquanto em recepção analógica o utente sintoniza a frequência que melhor recebe, em recepção digital SFN todos os sinais recebidos estão na mesma frequência e por isso há que os ‘filtrar’, por exemplo através de um diagrama de radiação adequado.
O caso português
Para o caso de Portugal depois da provável adopção a acontecer brevemente, o serviço DVB-T deverá coexistir com o sistema analógico até 2012. |

|
TV DIGITAL EM PORTUGAL |
|
Tomorow’s TV Today! |