Universidade Técnica de Lisboa

 

Instituto Superior Técnico

2006 / 2007

 

 

 

 

 

Cadeira de

Comunicação Áudio e Vídeo

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Índice:

    Resumo

    1. introdução

    2. iptv – uMA VISÃO GLOBAL

2.1. Internet Television versus IPTV

2.2. Difusão de televisão convencional versus difusão de IPTV

2.3. Arquitectura – Visão geral

2.4. Arquitectura – Visão detalhada

2.5. Protocolos/Transporte

2.6. Formatos de IPTV

2.7. Canais DSL

2.8. QoS

2.9. Vantagens

2.10. Desvantagens

    3. aplicações e serviços

3.1. VoD

3.2. Triple/Quadruple Play

3.3. Multicast e unicast

3.4. EPG

3.5. DVR

3.6. Outras aplicações

    4. o mercado e o impacto social

4.1. IPTV e os investimentos

4.2. Quem pode interessar-se pela televisão IP?

4.3. Previsões de crescimento

    5. O que reservará o futuro?

    6. Conclusões

    7. Agradecimentos

    8. ReferÊncias


 

Internet Protocol Television (IPTV) – Uma aposta com futuro?

 

 

Bruno Guedes, Hugo Teixeira, Ricardo Godinho

Instituto Superior Técnico - Taguspark

 

Av. Prof. Dr. Cavaco Silva, 2744-016 Porto Salvo, Portugal

E-mail: {bruno.guedes, hugo.teixeira, ricardo.godinho}@tagus.ist.utl.pt

 


 

Resumo

A Internet foi responsável pelo surgimento de um novo paradigma de televisão – IPTV. Esta tecnologia distingue-se de outros modelos de televisão, por permitir aos utilizadores um elevado grau de interactividade, com um controlo personalizado sobre os conteúdos a que pretende assistir. Possibilita ainda a oferta de um número ilimitado de canais, bem como o acesso a conteúdos de Video on Demand (VoD).

O IPTV apresenta diversas funcionalidades suportadas por uma arquitectura complexa e uma rede convergente que serve de integração a serviços de voz, dados e vídeo (Triple/Quadruple Play).

A tecnologia IPTV explora ao máximo as características da Internet, com a utilização de mecanismos de Quality of Service (QoS). Surge ainda como uma revolução dentro do panorama televisivo, abrindo portas a novos investimentos por parte das empresas de telecomunicações.

 

Palavras-chave — Internet, IPTV, interactividade, personalização, funcionalidades, revolução e investimento.

 

1. introdução

Actualmente a televisão é um serviço muito arcaico, ao nível de um Personal Computer (PC) dos anos 80. Na última década, o crescimento dos serviços de satélite, melhorias nas condições físicas da rede e o nascimento do High Definition Television (HDTV), permitiram mudanças no panorama da televisão. Acredita-se que se está a atravessar o principio do fim da televisão tal como se conhece hoje. Assim como a televisão em broadcast ultrapassou a rádio, a televisão por Internet Protocol (IP) irá ultrapassar a televisão em broadcast. Nesta linha de pensamento, é possível afirmar que a televisão irá mudar mais nos próximos cinco anos do que nos últimos cinquenta e de uma forma muito mais interessante.

Neste artigo começar-se-á por destacar as diferenças entre o IPTV e outros modelos de televisão. Seguidamente será apresentada a arquitectura genérica de um serviço IPTV, bem como o seu respectivo funcionamento. As potencialidades do IPTV serão demonstradas, mencionando os diversos serviços e aplicações que esta possibilita.

Posteriormente irá ser dado ênfase ao impacto desta tecnologia, tanto ao nível de mercado como em termos sociais. Será também abordado o IPTV numa perspectiva de futuro. 

 

 

2. iptv – uMA VISÃO GLOBAL

O IPTV tem como finalidade principal, corresponder às exigências de comunicações e entretenimento dos utilizadores, usando a televisão e baseando-se na infra-estrutura Digital Subscriber Line (xDSL) dos operadores de telecomunicações. Utiliza o protocolo IP sobre uma ligação de banda larga, sendo importante referir que o IPTV não é televisão na Internet, apesar de ambos utilizarem esse protocolo. O IPTV apresenta um funcionamento bastante distinto do sistema de televisão tradicional (cabo, satélite e terrestre), por permitir receber sinais de televisão e vídeo juntamente com outros serviços multimédia. Segundo os grupos de telecomunicações e respectivos fornecedores, o IPTV tem desempenhos semelhantes ou mesmo superiores aos do serviço por cabo ou por satélite, em termos de capacidade de transmissão.

 

2.1. Internet Television versus IPTV

Internet Television através de streaming de vídeo é conceptualmente diferente de IPTV na medida em que é público e livre. Tende a apresentar uma qualidade limitada, sem qualquer controlo sobre a forma como os conteúdos são produzidos. Tais conteúdos estão acessíveis na Internet e são vistos em computador. Um dos exemplos mais conhecidos de Internet Television é o caso do YouTube.

Em contrapartida, o IPTV assenta numa rede fechada, que leva vídeo aos televisores através dos descodificadores [1].

 

2.2. Difusão de televisão convencional versus difusão de IPTV

A finalidade convencional da difusão, seja por rede de cabo ou por televisão de satélite é oferecer uma variedade de canais em simultâneo para a residência do utilizador. O IPTV distingue-se neste aspecto concreto, por apenas transmitir os canais que vão ser vistos pelo assinante, tendo assim a capacidade de oferecer um conjunto ilimitado de canais. Os assinantes têm a capacidade de escolher os conteúdos que desejam, assim como o instante em que os pretendem ver. É uma característica que só é possível por se basear numa rede IP.

 

2.3. Arquitectura – Visão geral

IPTV é uma tecnologia complexa. Antes de se referir as aplicações e serviços que esta tecnologia complementa, é necessário compreender o seu modo de operação, bem como a rede que lhe serve de suporte.

Nesta secção, apresentar-se-á duas arquitecturas com diferente grau de detalhe.

A figura seguinte representa a arquitectura da tecnologia IPTV:

 

 

Figura 1 - Arquitectura genérica de um sistema IPTV.

 

Com base na Figura 1, ir-se-á descrever as suas diferentes componentes.

2.3.1. Content Sources

Consiste na componente que recebe o conteúdo de vídeo das mais diversas fontes, e onde posteriormente é efectuado a codificação e o armazenamento em bases de dados, desse mesmo conteúdo, servindo de suporte à funcionalidade VoD.

2.3.2. Service Nodes

Tem como funcionalidade receber streams de vídeo em diferentes formatos, efectuar uma nova formatação, encapsular esses conteúdos e permitir a sua transmissão com a QoS adequada à rede. Esta componente é de elevada importância por permitir a correcta distribuição dos conteúdos aos respectivos assinantes da tecnologia IPTV.

2.3.3. Wide Area Distribution Networks

Esta componente da arquitectura IPTV possibilita uma grande capacidade de distribuição e suporta QoS. Além dos aspectos referidos, permite ainda o uso de multicast, o que é importante para a distribuição de streams de conteúdos IPTV. Esta distribuição é feita desde o Service Node até ao Customer Premises Equipment (CPE).

2.3.4. Customer Access Links

Nesta componente são necessárias tecnologias xDSL de grande débito. Com o auxílio destas e através da rede telefónica instalada, é possível a entrega de todo o tipo de conteúdos aos vários assinantes de IPTV. Como alternativa a esta solução, a distribuição de IPTV pode ser efectuada utilizando Fiber To The Curb (FTTC), que consiste no uso de fibra até ao dispositivo Optical Network Unit (ONU), que se encontra nas imediações do cliente. A partir da ONU até à residência do cliente é utilizado como transporte a tecnologia DSL. É possível implementar directamente Fiber To The Home (FTTH), porém esta situação envolve custos elevados.

2.3.5. CPE

No contexto de IPTV, o dispositivo CPE está localizado no cliente e possibilita a funcionalidade Broadband Network Termination (B-NT). Além disso, o CPE pode integrar outras funcionalidades, tais como routing gateway ou Set-Top Box (STB).

2.3.6. Cliente IPTV

O cliente IPTV é a unidade funcional de terminação do tráfego IPTV. Esse tráfego é destinado ao dispositivo CPE. Como foi referido anteriormente, o CPE pode ser uma STB, com inúmeras funcionalidades, tais como estabelecimento de ligação e QoS com o Service Node ou descodificação de streams de vídeo [2].

 

2.4. Arquitectura – Visão detalhada

Na figura 2, está ilustrado alguns dos componentes chave de um sistema IPTV.

 

 

Figura 2 – Visão detalhada de uma arquitectura IPTV [3].

Os conteúdos são recebidos por satélite (satellite resource), câmaras digitais (digital camera) ou através de servidores (content server). Estes conteúdos recebidos no Headend (que corresponde à área delimitada a vermelho na Figura 2) são guardados em nós locais, tais como os data-centers das empresas de telecomunicações, com a finalidade de servir os pedidos dos clientes.

Os conteúdos armazenados localmente são codificados, se necessário em Moving Picture Experts Group Version 2 (MPEG-2), H.264, ou outros formatos. De seguida são encapsulados em pacotes IP, com integração de cifra (representado a azul na Figura 2).

Os dados são então transmitidos pela infra-estrutura de cobre para o cliente residencial (representados respectivamente a amarelo e verde na Figura 2) que tem um serviço DSL e é subscritor de IPTV.

Na residência do cliente o conteúdo é entregue à televisão via STB que decifra o sinal e extrai a informação que se encontra no pacote transmitido pela linha DSL, constituindo assim um programa de vídeo. Como demonstra a figura seguinte, a linha DSL também fornece serviços de telefone e Internet, mesmo estando a ser usada para vídeo.

Para implementar o sistema completo de IPTV, componentes como o Headend, o CA (Conditional Access), o Middleware e as STB’s, merecem uma referência especial.

 

2.4.1. Headend

O Headend IPTV tem como finalidade receber, efectuar a codificação e leitura do conteúdo (vídeo, áudio ou dados cifrados), proveniente de uma variedade de fontes.

 

2.4.2. STB

A STB é a interface do cliente com a rede.

Na maioria dos sistemas actuais de IPTV, as STB’s desempenham um papel preponderante, fazendo a ligação entre a televisão e a linha DSL. É responsável pelo desempacotamento dos streams de vídeo e pela descodificação dos conteúdos.

Na prática, um PC pode realizar o mesmo trabalho mas a maioria das pessoas ainda não dispõe de PC’s ligados fisicamente à televisão, para efectuar tal tarefa.

 

2.4.3. Middleware

O middleware é uma pilha de software que controla a autenticação do utilizador, pedidos de mudanças de canais, facturação, pedidos VoD, etc. Deste modo, fornece interfaces Appplication Programming Interface (API) para integração com outros componentes e entrega de serviços de IPTV em larga escala de uma forma rápida. Além disso, serve para integrar o sistema de VoD, Headend, CA/Digital Rights Management (DRM), STB e toda a rede, automatizando os serviços de instalação remota e controlo do utilizador. Este controlo é efectuado através do Electronic Programming Guide (EPG).

O middleware anota também os novos conteúdos de VoD. Controla o processo de privacidade dos conteúdos dizendo ao sistema CA quando este cifra a informação e quando deve enviar a chave ao utilizador. Tem também funções de backend, por exemplo, verifica se a conta do utilizador está activa na data em que o utilizador quer visualizar o conteúdo VoD ou Pay per View (PPV). 

 

2.4.4. Segurança de Conteúdo

O DRM é um conjunto de várias tecnologias que limitam o uso de certos produtos digitais, tais como vídeo, áudio ou imagens.

O CA é o sistema responsável por decidir se determinado stream deve ou não ser apresentado ao assinante. Sendo assim, o sistema cifra o conteúdo de maneira a ser só acessível aos utilizadores que tenham permissões para tal. Cifrar o sinal também trás protecção contra a pirataria. Este tipo de controlo é aplicado tanto à difusão da televisão como a VoD.

A cifra do tráfego de difusão da televisão é normalmente alcançada usando hardware, devido às elevadas exigências temporais (tempo real). Em contraste a cifra em VoD, como os requisitos temporais são inferiores, tipicamente é feita por software.

 

 

2.5. Protocolos/Transporte

Existem muitos protocolos envolvidos na entrega de IPTV.

Tipicamente os conteúdos de vídeo em IPTV, são codificados em MPEG-2 e entregues em multicast. O H.264 apresenta-se como uma alternativa ao MPEG-2.

O IPTV utiliza o protocolo Internet Group Management Protocol (IGMP) e o Real Time Streaming Protocol (RTSP).

A versão 2 do IGMP serve para sinalização de mudanças no canal de transmissão em televisão de tempo real. 

O RTSP é um protocolo para reserva de caminhos, sendo normalmente utilizado para VoD.

A figura 3 apresenta diferentes camadas do sistema:

 

Figura 3 – Diagrama de protocolos de comunicação [4].

 

De realçar que a transmissão tanto pode ser feita por User Datagram Protocol (UDP), como por Real Time Protocol (RTP)/UDP. A desvantagem do UDP é que só por si não garante fiabilidade na transmissão, o que é resolvido usando o RTP.

A Figura 3 apresenta o codificador MPEG-2. O MPEG-2 transport stream (TS), é o formato em que o vídeo é transmitido para o utilizador, através da rede.

O Digital Vídeo Broadcasting (DVB) é um padrão europeu de televisão digital. Trabalha com conteúdo audiovisual nas três configurações de qualidade de imagem: HDTV tem 1080 linhas, Enhanced Definition Television (EDTV) tem 480 linhas e Standard Definition Television (SDTV) tem 480 linhas. Em Portugal tem sido usado nos canais PPV como alternativa ao sistema analógico.

 

2.6. Formatos de IPTV

Os codificadores assumem um papel preponderante na largura de banda que o vídeo ocupa na rede. Se estes não existissem em HDTV, era necessário ter disponíveis cerca de 300 Mbps, (Pulse Code Modulation - PCM) para cada stream de vídeo, algo incomportável. O codificador MPEG-2 necessita de 2 a 6 Mbps para cada stream de SDTV. No formato HDTV (1080i: 1920×1080 pixels), o débito binário necessário é de 18-20 Mbps para o MPEG-2, enquanto que para o H.264 é cerca de 7 a 8 Mbps [5].

 

2.7. Canais DSL

Todos os canais são multicast e enviados ao mesmo tempo desde o Headend nacional para os nós locais. Tais nós podem-se tornar num ponto de estrangulamento (bottleneck). Este ponto não tem a capacidade de enviar os fluxos dos canais simultaneamente.  

Para conseguir difundir os canais a um assinante de IPTV, através de uma linha DSL, é necessário enviar poucos de cada vez. A STB comuta os canais usando o IGMPv2. Quando o utilizador pretende mudar de canal, o nó local verifica se o utilizador está autorizado a ver esse novo canal e caso isso aconteça, é automaticamente adicionado a uma lista de distribuição de canais. Desta forma só os sinais que estão correntemente a ser observados é que irão ser enviados do nó local para o Digital Subscriber Line Access Multiplexer (DSLAM) e disponibilizados para o utilizador.

 

2.8. QoS

Com o aparecimento do IPTV, há uma maior necessidade de garantir robustez na transmissão, para redes locais e domésticas. Existe uma melhoria ao nível do controlo de erros e de mecanismos de recuperação para os mesmos, minimizando as necessidades de retransmissão.

Os pacotes IP, pertencentes ao stream de vídeo do IPTV, podem apresentar atraso em relação a outros dados da rede. Tal atraso afecta a visibilidade/qualidade dos conteúdos multimédia. Na direcção inversa, o atraso também é um factor importante a ter em conta, dado que os pedidos de mudança de canal em televisão IP necessitam de ser entregues ao Service Node em tempo útil.

Por mais que a rede seja correctamente desenhada ou quão rigoroso seja o controlo de QoS, há sempre a possibilidade de as streams apresentarem erros. No caso de unicast esta questão não é tão preocupante, dado que a STB pode pedir o reenvio das perdas ou pacotes corrompidos. Já no caso do multicast a partir do momento em que as STB’s subscrevem uma stream, não é possível efectuar pedidos de retransmissão. Uma medida para superar este problema, consiste na utilização de Forward Error Correction (FEC), em que pacotes redundantes são transmitidos como parte da stream. No entanto, este tipo de correcção aumenta o overhead na rede.

  

2.9. Vantagens

Existem inúmeras vantagens num sistema IPTV, de entre as quais iremos mencionar as mais importantes.

 

2.9.1. Integração e convergência digital

A integração consiste no acesso a televisão, dados e voz através de um único fornecedor.

A possibilidade de integração de diversos serviços representa uma vantagem para os clientes em termos de custos e ao mesmo tempo uma nova oportunidade de negócio para os operadores de telecomunicações.

 

Figura 4 – Serviços de telecomunicações [6].

 

2.9.2. Interactividade

Em IPTV o entretenimento televisivo torna-se muito mais personalizado. Permite um grande controlo sobre os conteúdos a que se pretende assistir. Algumas das funcionalidades de interactividade e controlo que são oferecidas na tecnologia IPTV são:

1.        Controlo paternal sobre os conteúdos de televisão;

2.        Alugar e visualizar vídeos imediatamente, de entre uma vasta gama de conteúdos;

3.        Digital Vídeo Recording (DVR);

4.        Obter um guia detalhado de programação;

5.        EPG;

6.        VoD;

 

A possibilidade de no IPTV se poder escolher os vários canais de acordo com as preferências do utilizador, surge como um paradigma revolucionário. Permitindo ao utilizador seleccionar os conteúdos que pretende e não ter de pagar por conteúdos generalistas, nos quais muitos dos canais não são do seu agrado. Assim, será possível alcançar todo o tipo de público-alvo.

 

2.10. Desvantagens

Como qualquer outra tecnologia, o IPTV apresenta também algumas desvantagens. Sendo um sistema baseado no protocolo IP, apresenta limitações em termos de atraso e de perda de pacotes, se a ligação que lhe serve de suporte não for suficientemente rápida. Por outro lado, o suporte de HDTV em sistemas IPTV ainda não é uma realidade, devido às limitações em termos de largura de banda.

Outras desvantagens menos significativas que podemos referir, são o facto de a adopção para este novo sistema ter sido relativamente lenta. O preço da STB também pode constituir uma desvantagem. Questões de privacidade (segurança numa rede IP) e a inércia dos assinantes de televisão em transitar para um novo sistema podem representar entraves a esta tecnologia.

 

 

3. aplicações e serviços

As aplicações em IPTV têm como principal finalidade a entrega de televisão digital em broadcast. Existe ainda a possibilidade de oferecer outros serviços ligados ao IPTV, como o VoD ou o Triple Play. O IPTV pode ser usado para fins como sendo a telemedicina ou a vídeo vigilância.

3.1. VoD

O sistema VoD é constituído por três partes fundamentais:

1.       VoD server – Este dispositivo guarda os conteúdos multimédia. Alguns servidores VoD, constituem hardware proprietário.

2.       VoD catcher – Este equipamento recebe novos conteúdos das mais variadas fontes. O modelo base do VoD catcher é especificado pelos fornecedores de conteúdo dado que não existe standards na indústria. Um operador pode necessitar de vários VoD catcher’s para receber conteúdos de múltiplas fontes.

3.       VoD cache – O VoD cache é um VoD server distribuído. Conteúdo frequentemente acedido pode ser carregado para caching pelo equipamento que se encontre mais perto do utilizador.

 

A aplicação de VoD permite a assinantes individuais terem a possibilidade de seleccionar conteúdos de vídeo de acordo com as suas preferências, tais como:

1         Movies on Demand: um nó de serviço que permite a selecção de um conjunto de filmes num dado momento.

2         Conteúdos Armazenados: uma série de programas televisivos que podem ser vistos num momento posterior à sua transmissão.

 

VoD é um serviço que fornece programas televisivos de acordo com as escolhas dos utilizadores, para isso estes efectuam pedidos interactivamente. Esses programas consistem em conteúdos previamente armazenados, tais como: vídeos de entretenimento ou educacionais.

A aplicação VoD permite um elevado grau de liberdade a todos os utilizadores individuais, tanto na selecção dos conteúdos de vídeo como na escolha do momento da sua visualização.

No panorama de IPTV actual, o VoD surge como uma utopia. Na verdade, este conceito é na sua mais pura essência, visualizar um qualquer conteúdo multimédia no instante em que o assinante assim o deseje. O que na realidade é oferecido é um sistema de PPV, onde o assinante é “escravo” do instante de tempo em que certo conteúdo irá ser disponibilizado (ex.: 30 minutos de espera pelo filme, depois de exercer o pedido).

 

3.2. Triple/Quadruple Play

A tecnologia IPTV contribuiu para uma área de integração de três serviços: voz, dados e vídeo. O Triple Play refere-se à possibilidade de usufruir de serviços de dados, voz e vídeo através de uma única ligação de banda larga. Os consumidores apenas devem necessitar de uma única ligação para as suas respectivas casas para obter este tipo de serviço.

Num futuro bastante próximo, será oferecido o Quadruple Play, baseando-se na integração do Triple Play com as redes móveis.

A tecnologia IPTV pode ser vista como a peça do puzzle que faltava para tornar o Triple/Quadruple Play uma realidade.

 

3.3. Multicast e unicast

O multicast consiste em distribuir pacotes IP de uma forma eficiente para múltiplos pontos de destino.

Fornecer o serviço IPTV, através da exploração da funcionalidade de multicast, permite uma melhor gestão da utilização de largura de banda na rede de acesso e rede core.

Quando mais do que um utilizador se encontra a assistir ao mesmo canal na rede doméstica, o fornecedor do serviço pode-se limitar a enviar somente um sinal de vídeo (stream). Assim é delegada a responsabilidade à tecnologia existente na rede doméstica, de forma a distribuir esse sinal para os vários pontos/utilizadores dessa mesma rede.

É óbvio que serão necessários mais requisitos em termos de largura de banda se vários assinantes assistirem a diferentes canais.

Tanto o multicast como o unicast são necessários no mundo do IPTV, sendo que para a sua implementação em larga escala é mais fácil utilizar a rede core actualmente existente do que instalar uma rede dedicada (ponto a ponto entre o cliente e o servidor de IPTV).

O VoD é um exemplo de um fluxo unicast, dado que dificilmente existirá mais do que um cliente a ver o mesmo conteúdo, no preciso momento.

 

Figura 5 – Diferentes tipos de encaminhamento

 

3.4. EPG

O EPG também conhecido por Interactive Programming Guide IPG ou por Electronic Service Guide (ESG) é uma interface gráfica que permite a navegação, selecção e descoberta de conteúdos, pelas múltiplas possibilidades de programação que o utilizador tem ao seu dispor na televisão digital.

Grande parte das funcionalidades do IPTV são executadas através desta interface, sendo análogo a um portal de Internet. Como exemplos pode-se destacar, a visualização dos guias de programação tanto do IPTV como de conteúdos VoD, configurar filtros de controlo paternal, personalizar canais, agendar gravação de conteúdos para o DVR, entre outros.

               

3.5. DVR

O DVR pode ser igualmente designado de Personal Vídeo Recorder (PVR). Este dispositivo electrónico permite a gravação de streams de vídeo num formato digital. Os conteúdos podem ser guardados tanto do lado do cliente (disco rígido da STB) como do lado do servidor (servidor de vídeo localizado no Headend da rede).

A maior parte dos gravadores de vídeo digital utilizam o formato de codificação MPEG.

Os DVR’s permitem a gravação de um conteúdo multimédia, enquanto o utilizador se encontra a assistir a outro programa, permitindo posteriormente a visualização dos conteúdos gravados.

 

3.6. Outras aplicações

Algumas aplicações que usam a infra-estrutura IPTV são a vídeo telefonia, videoconferência, educação remota, vídeo vigilância. Existem algumas funcionalidades e serviços adicionais, que não são possíveis obter num sistema clássico de distribuição de televisão, entre os quais se destaca:

          - Canais televisivos personalizados;

          - Propaganda direccionada;

 

3.6.1. Canais televisivos personalizados

Pode-se sintetizar a característica apresentada na seguinte situação: o controlo e distribuição sobre uma gama de conteúdos, tal como imagens e vídeos digitais, podem ser feitos através de um canal de televisão personalizado para o serviço de amigos e membros de família.

Nesta visão, o cliente de IPTV tem a possibilidade de assinar o canal de televisão pessoal. Assim, quando este fizer upload do conteúdo para os canais pessoais de media, os amigos e os membros da família autorizados a aceder a esse canal, podem visualizar o seu conteúdo. Isto é realizado através do EPG do IPTV.   

 

3.6.4. Propaganda Direccionada

 A propaganda contida numa mensagem particular ou media entre um dispositivo especifico e o cliente baseado no seu endereço, é designado de propaganda direccionada.

O endereço do cliente pode ser obtido por rastreio do seu respectivo perfil. Tal acontece para determinar se a mensagem de propaganda é apropriada para o destinatário. Deste modo, a propaganda endereçada permite medir de uma forma célere e correcta a eficiência das campanhas de propaganda.

A cooperação do utilizador é o aspecto chave no endereçamento. No preciso momento em que a televisão é ligada, o sistema IPTV pode perguntar ou incitar o espectador a seleccionar o seu nome, de uma lista de utilizadores registados. O nome está associado a um profile, que contem as suas preferências e interesses, sendo essa a melhor forma de seleccionar a propaganda (correspondendo aos interesses do profile do espectador).

A receita gerada por endereçamento das mensagens de propaganda enviadas aos espectadores com profiles específicos, pode ser 10 a 100 vezes mais elevadas que a receita por “broadcasting de propaganda” para audiência geral.

A habilidade de enviar propaganda comercial para um número específico de utilizadores permite aos publicitários ter um maior controlo sobre o orçamento para propaganda direccionada. Também permite a estes experimentar um número diferente de propagandas comerciais na mesma área geográfica ao mesmo tempo [7] [8].

 

 

4. o mercado e o impacto social

Confrontadas com a descida do volume de negócios associado ao telefone, as empresas de telecomunicações de todo o mundo investem hoje milhares de milhões para montarem redes de alta definição capazes de fornecer acesso ao IPTV. Contudo, essas empresas debatem-se com dificuldades para convencer o “consumidor-tipo” a optar por esta nova oferta. Dado que o cabo e o satélite já satisfazem muitos clientes. As empresas que mais se destacam no investimento na tecnologia IPTV, estão ilustradas na figura seguinte: 

Figura 6 – Alguns players mundiais.

 

4.1. IPTV e os investimentos

Entre os grupos que apostaram na IPTV, a norte-americana Verizon foi sem dúvida a que fez maior investimento inicial. Foram 13,4 milhões de euros investidos numa nova fibra óptica, com vista ao fornecimento de uma ligação de alta definição a milhões de residências. Deutche Telekom, France Télécom e Telecom Itália anunciaram igualmente investimentos em redes mais rápidas. Nortel, Cisco Systems, Alcatel-Lucent e Juniper Network, que já fabricam routers, comutadores de rede e caixas descodificadoras, estão já a colher lucros dos seus investimentos, afirmam os respectivos dirigentes. E com eles a Microsoft, que produz programas que permitem às empresas de telecomunicações efectuar a DRM ou gerir vídeos a pedido e programas televisivos online.

4.2. Quem pode interessar-se pela televisão IP?

O principal obstáculo, segundo os especialistas do sector, é que o consumidor já tem à disposição uma imensidade de serviços que lhe permitem receber em casa televisão digital. O cabo e o satélite captam uma parte significativa desta clientela. E em alguns países, já está mesmo disponível um serviço gratuito de digital terrestre. Na Alemanha, por exemplo, a maior parte das residências estão ligadas ao cabo tradicional e os consumidores não parecem muito inclinados a pagar uma assinatura suplementar para se ligarem ao cabo ou satélite digital. Outra causa com os mesmos efeitos, na Grã-Bretanha, onde mais de metade dos lares recebem já a televisão digital de três formas: por satélite, cabo ou por Freeview, o digital terrestre gratuito.

Outra situação preocupante é o facto dos consumidores preferirem plataformas directamente acessíveis online, como o YouTube ou o Joost, que prosperam na Internet.

Os fornecedores de IPTV ao proporem uma oferta Triple Play, com televisão, alta velocidade e serviços de voz, ou mesmo Quadruple Play, incluindo as chamadas de telemóveis, esperam travar o desinteresse dos actuais clientes e atrair novos. Neste contexto os potenciais clientes podem ser seduzidos pelo lado prático do preço de conjunto.

Outra abordagem por parte dos fornecedores, é investir em conteúdos de qualidade, para atrair espectadores. Exemplo disto foi o caso da Belgacom, o histórico operador belga, onde conseguiu novos assinantes para a sua oferta de IPTV, ao adquirir os direitos de retransmissão de grandes jogos de futebol. No final de 2006, contava 140 mil clientes, num país de 11 milhões de habitantes.

4.3. Previsões de crescimento

A acreditar nos analistas, o IPTV conta com cerca de cinco milhões de assinantes no mundo inteiro, concentrados em zonas onde o mercado é favorável, como Hong Kong, França, Bélgica e Islândia. Fora isso, o IPTV tinha por principal atractivo ser associado à alta velocidade e às chamadas telefónicas, tudo servido num aliciante pacote de serviços agrupados numa linha e numa factura única.

As previsões de crescimento são muito variáveis. Na conferência organizada no início de Março, em Londres, Eric Abensur, vice-presidente da filial britânica da Orange e da France Télécom, previu ultrapassar os 100 milhões de clientes até 2010. Quanto ao gabinete Multimedia Research Group, apenas declara metade, e o seu homologo Ovum é ainda mais prudente fazendo prospectivas de um máximo de 30 milhões de assinantes até 2010. Isto apesar de as suas estimativas não terem em conta serviços de vídeo a pedido. Em França, o IPTV seduziu cerca de um milhão de assinantes, repartidos por meia dúzia de fornecedores concorrentes. A Islândia é o primeiro país do mundo a dotar-se de uma rede nacional de IPTV e onde segundo David Gunnarsson, engenheiro encarregue dos serviços de dados da Siminn (uma empresa de telecomunicações islandesa) um quarto das residências têm este serviço. Desde Abril que Portugal dispõe de serviços IPTV, onde a Clix SmarTv foi a pioneira, apresentando já alguns aderentes, não tendo sido ainda divulgados os números nem balanços. Em resposta, a Portugal Telecom (PT) Comunicações deu início no passado mês de Março à fase de piloto técnico e a partir de Junho vai dar a oportunidade a cerca de cinco mil clientes nas áreas de Castelo Branco, Lisboa e Porto, de experimentar as funcionalidades do serviço IPTV. Através deste piloto comercial, a empresa pretende avaliar os processos e sistemas de suporte à operação, bem como efectuar as adaptações necessárias para o lançamento efectivo do serviço, com qualidade [9].

 

5. O que reservará o futuro?

Num futuro não muito longínquo, é esperado que não seja necessário ter um Digital Versatile Disc (DVD) ou Compact Disc (CD), porque ter-se-á acesso a qualquer filme e música já produzido na ligação de banda larga.

Poder-se-á verificar se a garagem está fechada, a partir de um telemóvel, ou mesmo mostrar fotos guardas num PC através do aparelho de televisão dos seus pais, por exemplo.

Estes são algumas maneiras de se ter maior acesso e maior controlo, possivelmente estas são as duas palavras-chaves permitir cada vez mais que o utilizador tenha acesso a mais informação e que o controlo sobre esta seja cada vez maior.

O surgimento do Wimax, permitirá consolidar o IPTV, funcionando como forma complementar de rede de distribuição de serviços de banda larga, ou como tecnologia de transporte, permitindo maiores coberturas das zonas (principalmente zonas com reduzia densidade). O Wimax também será fundamental no desenvolvimento do Quadruple Play.

 

6. Conclusões

Cada vez mais os consumidores de conteúdos multimedia são mais activos, participativos e exigentes não só em relação à qualidade da imagem e som, mas também nos recursos e controlo sobre a programação. Esses novos clientes exigem dispositivos interactivos.

Muito do que a televisão oferece acontece de uma forma analógica, sem qualidade, unidireccional, sem interactividade e com um número de canais limitados. Pelo contrário, o IPTV é completamente digital, com um número ilimitado de canais e um elevadíssimo nível de interactividade.

O IPTV não é apenas uma televisão moderna, mas sim uma tecnologia de futuro. E o futuro depende do que fazemos no presente.

 

7. Agradecimentos

Queremos agradecer, primeiramente a Deus por todas as bênçãos que nos concedeu a que muitas pessoas chamam de sorte ou coincidência.

Um agradecimento especial ao professor Fernando Pereira por todo apoio prestado na elaboração deste artigo. Uma palavra especial de agradecimento para os engenheiros da Portugal Telecom pelas palestras de IPTV.

 

8. ReferÊncias

[1]     “Internet Protocol Television”, International Engineering Consortium

Disponível:http://www.iec.org/online/tutorials/iptv/topic03.html

[2]     “Internet Protocol Television”, International Engineering Consortium

Disponível:http://www.iec.org/online/tutorials/iptv/topic02.html

[3]     Yuxing InfoTech Holding Ltd., “Products: Telecommunications IPTV System Solution”, 2005.

[4]     Murer, Ricardo “Softv - O que é IPTV”

Disponível: http://www.softv.com.br/artigos/o-que-e-iptv.pdf

[5]     “Internet Protocol Television”, International Engineering Consortium

Disponível:http://www.iec.org/online/tutorials/iptv/topic05.html

[6]     Brázio José, cadeira de “Planeamento e Projecto de Redes” do IST ano 2006/2007 (Secção Material de Apoio)

Disponível:https://fenix.ist.utl.pt/publico/executionCourse.do?method=firstPage&executionCourseID=50280

[7]     “Internet Protocol Television”, International Engineering Consortium

Disponível:http://www.iec.org/online/tutorials/iptv/topic04.html

[8]     “Internet Protocol Television”, International Engineering Consortium

Disponível:http://www.iec.org/online/tutorials/iptv/topic05.html

[9]     Pfanner, Eric “IPTV: um bom plano ou um engodo?” Courrier Internacional, 30 Março de 2007.

 

 

AUTORES:

 

 

Bruno Guedes, nascido a 17 de Julho de 1984. Estudante do Instituto Superior Técnico – TagusPark, encontrando-se a frequentar o 2º ano de Mestrado em Engenharia de Redes de Comunicação (MERC). As suas áreas de interesse estão ligadas ao IPTV.

 

 

 

Ricardo Godinho, nascido a 15 de Setembro de 1983. Estudante do Instituto Superior Técnico – TagusPark, encontrando-se a frequentar o 2º ano de Mestrado em Engenharia de Redes de Comunicação (MERC). As suas áreas de interesse estão ligadas ao IP Multimedia Subsystem (IMS).

 

 

 

 

Hugo Teixeira, nascido a 6 de Novembro de 1984. Estudante do Instituto Superior Técnico – TagusPark, encontrando-se a frequentar o 2º ano de Mestrado em Engenharia de Redes de Comunicação (MERC). As seus áreas de interesse estão ligadas às redes de sensores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inicio