Aplicações e tecnologias

Sendo em telecardiologia, o diagnóstico feito fortemente com base em ECG, a videoconferência apenas adiciona a sensação de “tele-presença” entre o paciente e o médico, não contribuindo decisivamente para o diagonóstico. Assim o uso de um sistema de videoconferência H.323/H.324, a primeira para operar sobre redes IP e a segunda para linhas telefónicas analógicas “Public Switched Telephone Network”(PSTN), cumpre o nível de qualidade necessário. Um terminal H.323 [4] pode ser ligado a uma linha telefónica analógica ou a uma linha “Integrated Services Digital Network” (ISDN), através de um dispositivo adicional denominado “gateway” que faz a interface entre a rede de pacotes onde o terminal opera e a linha usada. Porém no caso do terminal usar a PSTN, a qualidade que pode ser atingida é menor (baixo débito binário) e o uso de um terminal H.324 [5] é recomendado por ser ligado directamente à linha sem passar através de um “gateway”. Na figura 2 apresenta-se um exemplo de funcionamento de uma consulta de telecardiologia.

Fig. 2: Exemplo de funcionamento de uma consulta de telecardiologia

Em teleradiologia, o diagnóstico é feito com base na imagem, não sendo necessário um contacto visual com o paciente. Não é necessária assim, uma comunicação em tempo real e as imagens e o relatório de diagonóstico podem ser transmitidas por exemplo por e-mail.

Fig. 3: Esquema de funcionamento de um sistema de teleradiologia.

A telemergência é a aplicação clínica apresentada neste artigo mais exigente do ponto de vista de requesitos técnicos. A comunicação entre partes tem de ser em tempo real e não pode falhar. A vida de alguém pode estar em risco. Existem dois tipos principais de telemergência:

  1. a efectuada pelos profissionais de saúde que prestam os cuidados iniciais no local da emergência;
  2. a realizada entre unidades de saúde no processo de diagnóstico dos pacientes.

O primeiro (A) exige um sistema de comunicação áudio e transmissão de vídeo móvel (com qualidade transparente) para o terminal do médico que auxilia o socorrista. O segundo (B) exige um sistema de videoconferência entre as duas equipas de saúde e transmissão de vídeo com alta qualidade (detalhe espacial).

As telecomunicações necessárias à operação de um sistema de telemergência do tipo (A) são suportadas na maioria dos casos pela rede de comunicações móveis, de segunda “Global System for Mobile Communications” (GSM) e terçeira “Universal Mobile Telecommunications System(UMTS) gerações, na gíria rede 2G e 3G respectivamente. O acrónimo "High Speed Packet Acess" (HSPA) é o nome de um protocolo que usa UMTS mas consegue atingir velocidades de transferência maiores.

Alguns países contudo suportam o seu sistema através de ligações por satélite, que em caso de catástrofe, asseguram o funcionamento do sistema. Um diagrama simplificado de um sistema de telemergência do tipo (A) apresenta-se na figura 4.

Fig. 4: Esquema simplificado de um sistema de telemergência de tipo (A). Entre a equipa de socorro e o médico está estabelecido um canal de voz para conversação, um fluxo de vídeo da equipa para o médico (com imagens da vítima) e a transmissão dos sinais vitais da vítima.

Um sistema de telemergência do tipo (B) pode ser usado também como um sistema de formação à distância, bastando para isso que os alunos assistam à videoconferencia e transmissão de vídeo. Um esquema simplificado de um sistema de telemergência do tipo (B) apresenta-se na figura 5.

Fig. 5: Esquema simplificado de um sistema de telemergência do tipo (B) a ser usado simultâneamente para a ensino à distância ¿eLearning¿. Para além da videoconferência, podem em caso de necessidade ser transmitidos os sinais vitais do paciente.

A telepatologia apresenta uma grande semelhança com a teleradiologia, o diagnóstico é feito com base em imagens e assim não é necessário um contacto directo entre o paciente e o médico. Assim não é necessária uma comunicação em tempo real e as imagens e o relatório de diagnóstico podem ser transmitidos por exemplo por e-mail. Um esquema simplificado de um sistema de telepatologia do tipo (B) apresenta-se na figura 6.

Fig. 6: Esquema simplificado de um sistema de telepatologia.