YOUTUBE vs VIMEO : Vanguarda TÉcnolÓgica e Modelos de NegÓcio

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    ANÁLISE COMPARATIVA: Modelos de Negócio

    O Youtube e o Vimeo servem comunidades diferentes de utilizadores tanto no tamanho como no propósito dos vídeos presentes em ambas as plataformas.
    O Youtube apela a um público mais geral o que se reflecte no tipo de conteúdos que esta plataforma contém. Os conteúdos em questão vão desde momentos banais da vida dos utilizadores (e.g. o riso de um bebé), à captura de momentos importantes do quotidiano das pessoas (e.g. tsunami no japão), passando por vídeos que mostram partes de episódios de séries televisivas.
    Ao contrário do Youtube, o Vimeo incentiva a partilha de vídeos com qualidade produzidos pelos seus utilizadores. Por essa razão, a comunidade de utilizadores do Vimeo é constituída por vários artistas (profissionais ou não) que através dessa plataforma entram em contacto com o seu público alvo.
    Estima-se que o 1 em cada 3 vídeos no mundo sejam vistos no Youtube tornando-o num serviço para as massas. Por essa razão, o modelo de negócio do Youtube é baseado na publicidade. Através do Youtube banners alusivos à publicidade podem ser incluídos nos resultados de pesquisas, nos video players e nas páginas associadas aos vídeos e canais de utilizador.
    Os utilizadores não têm de pagar pelas funcionalidades oferecidas e, apenas os parceiros especiais do Youtube é que têm acesso a funcionalidades extra (vídeos mais longos, download opcional, etc).
    O Youtube estabelece acordos de revenue sharing com parceiros especiais mediante a popularidade dos seus conteúdos no website.
    Ao contrário do Youtube, no Vimeo a publicidade é utilizada de forma limitada. Apenas pode ser colocada nas páginas dos vídeos (nunca no video player).
    O Vimeo tem suporte a 2 tipos de contas de utilizador: conta básica e conta plus.
    A conta básica é uma conta com funcionalidades reduzidas e sem custos associados. A conta plus consiste numa conta premium com um custo de 60$ anuais.
    O Vimeo não estabelece acordos de revenue sharing.

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    SERVIÇOS E CONTEÚDOS

    6.1. Serviços Disponibilizados

    Além dos serviços de alojamento de vídeos intrínsecos ao funcionamento básico tanto do Youtube como do Vimeo, ambos os provedores de conteúdos oferecem vários serviços que facilitam o uso por parte dos utilizadores. Ambas as plataformas oferecem mecanismos de pesquisa e relacionamento dos vídeos através da associação de frases ou palavras, chamadas etiquetas, que são introduzidas pelo autor do mesmo. Essas etiquetas, juntamente com a classificação numa categoria, permitem que os mecanismos de pesquisa e sugestão de vídeos melhorem a performance do seu algoritmo, mostrando ao utilizador unicamente os conteúdos que ele estará mais propenso a visualizar, melhorando assim a sua experiência de utilização. O Vimeo apresenta filtros mais rígidos para a apresentação de informação, optando por mostrar poucos vídeos, mas vídeos com melhor classificação e qualidade. Tanto o Youtube como Vimeo permitem ainda a criação de listas de reprodução para que o utilizador possa visualizar um conjunto de vídeos por ele escolhido, mais tarde.
    Ambos os sites contam ainda com a disponibilização de estatísticas dos vídeos dos utilizadores, sendo que estatísticas mais detalhadas só são disponibilizadas aos autores.
    O Youtube permite aos utilizadores fazerem edição do vídeo após o seu envio, disponibilizando ferramentas simples como cortar, juntar, adicionar efeitos ou até mesmo adicionar pequenos detalhes textuais. No Vimeo a funcionalidade de edição só foi disponibilizada através da sua aplicação para sistemas operativos móveis (e.g. Iphone).
    No site do Vimeo só é permitida a edição de créditos no final do vídeo.

    6.2. Conteúdos

    Todo o tipo de conteúdos são permitidos tanto no Youtube como no Vimeo excepto Pornografia e conteúdos que possam motivar a violência ou transmissão de mensagens politicas com teor que comprometa a segurança e estabilidade de um país. No Youtube a análise desses vídeos não funciona de forma automática, mas sim com base na avaliação e sinalização por parte dos utilizadores que posteriormente será validada por um funcionário do Youtube. A forte importância da diversidade de conteúdos tanto ao nível do entretenimento, divulgação de arte, disseminação de mensagens politicas e fortes ligações com a comunicação mundial entre os utilizadores garantem uma variedade universal de vídeos em termos de conteúdo.
    Desde Julho de 2008, o Vimeo proibido o envio de vídeos directamente relacionados com jogos, alegando que os vídeos de jogos são maiores e mais longos do que qualquer outro vídeo criando a maior parte dos problemas de atraso de processamento dos vídeos por parte do Vimeo.

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    DIREITOS DE AUTOR E ASPECTOS LEGAIS

    Tanto o Youtube como o Vimeo imperam sobre politicas de que o utilizador que partilha o vídeo é o autor imputável do mesmo. Todos os vídeos na fase de processamento são submetidos a uma análise algorítmica que vai inferir se os conteúdos partilhados estão sujeitos a direitos de autor por parte de outros. Nessa análise tanto o vídeo como o áudio são considerados, impedindo assim que conteúdos como músicas, filmes ou séries sejam partilhados livremente.
    Actualmente grandes empresas produtoras de conteúdos vídeo e conteúdos musicais exercem uma grande pressão sobre os provedores de conteúdo vídeo como o Youtube e o Vimeo para aplicar politicas bastante rígidas a todos os que infringirem os direitos de autor dos seus associados.
    O Youtube é censurado na China e já foi alvo de censura por parte de muitos outros países em situações que poderiam comprometer a estabilidade política dos mesmos (e.g. Tailândia 2007, Marrocos em 2008, Líbia em 2010, entre outros... ).
    O Vimeo é actualmente censurado na China, Tailândia, Vietname e Irão.
    Actualmente o Youtube e o Vimeo sofrem grandes pressões internacionais sobre assuntos que levemente estão ligados à frágil relação entre a liberdade de expressão e o atentado à imagem e estabilidade política de um país ou de certas organizações, sendo ambos vitimas de vários processos em tribunal, sem desfecho conhecido ou esperado para breve.

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    VIDEO NA INTERNET COMO IMPULSIONADOR DAS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO

    Antes do aparecimento de sites como o Youtube e o Vimeo, a pesquisa de video na internet baseava-se fortemente em motores de pesquisa como o Google ou outros essencialmente orientados a pesquisar ficheiros de vídeo que pudessem ser descarregados. Havendo poucos conteúdos com base no stream directo o tráfego na internet não era, até então, preenchido maioritariamente pelo vídeo. A centralização dos mecanismos de pesquisa de vídeo, através do aparecimento de serviços como o Youtube e Vimeo, e o aumento da importância do vídeo e da partilha de imagens na sociedade, veio traduzir um aumento significativo do tráfego e das exigências ao nível dos modelos de comunicação.
    O vídeo acabou por trazer uma necessidade urgente de actualização e melhoramento das tecnologias de comunicação tanto a nível da arquitectura da internet como das exigências do utilizador comum em querer aceder a serviços como Youtube e Vimeo em qualquer lugar, com uma qualidade aceitável. Essa necessidade traduziu-se num esforço por parte das operadoras para conseguir melhores débitos para as comunicações cabladas e sem fios.
    Um facto interessante, documentado pela Cisco, que ilustra a importância que o video desempenha na internet é o facto de que, segundo o indice estatistico Cisco Visual Networking Index: Forecast and Methodology, 2009-2014, seria preciso cerca de 72 milhões de anos para ver a quantidade de vídeo que irá passar pelas redes IP mundiais em 2014.
    O tráfego na internet, fortemente impulsionado pelo vídeo, aumenta cerca de 50% por ano, sendo que a capacidade da mesma só cresce cerca de 40%, caminhando para um estrangulamento da capacidade caso este ritmo se mantenha. Essa evolução é ilustrada pelo gráfico 2.

  • Um caso muito explicativo é ilustrado pelo facto de que o Youtube em 2007 consumiu tanta capacidade como havia disponível em toda a internet no ano 2000, dando um sinal claro às empresas de telecomunicações que devem modernizar as suas infraestruturas por forma a que não haja um estrangulamento e consequente diminuição das velocidades na internet.
    Grandes desenvolvimentos estão ainda a ser feitos para melhorar as velocidades de transmissão de dados em redes móveis, sejam suportadas por Wi-fi, vulgo 802.11, como por tecnologias de redes móveis suportadas por operadoras, como o LTE ou UMTS.

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    EVOLUÇÃO FUTURA

    Desempenhando o vídeo um papel preponderante na família dos serviços disponibilizados na internet e ganhando cada vez mais uma importância social em todo o mundo, o vídeo e é um serviço que tende a ganhar cada vez mais fãs e a ser requisitado por ainda mais utilizadores. Como tal é esperado que exista uma evolução significativa tanto na forma de levar o vídeo aos utilizadores como na forma de o apresentar. O próximo passo que o Youtube já deu em direcção ao futuro foi o de disponibilizar os primeiros vídeos em 3D e a permitir que os utilizadores os partilhassem. É esperado que o Vimeo e os restantes provedores de conteúdos o façam, melhorando ainda a qualidade do 3D que disponibilizam, acompanhando a evolução latente dos televisores e monitores que vão sendo disponibilizados no mercado.
    A interactividade será, de braços dados com o 3D, a chave para o futuro do vídeo na internet, sendo que cada vez mais o Youtube e o Vimeo não são só acedidos através do computador, mas também através de novos televisores com acesso à internet, onde o consumidor acaba por exigir uma melhor qualidade de imagem e capacidade de personalizar os conteúdos que pretende ver, interligando-os com outros serviços na internet, como por exemplo serviços noticiosos ou desportivos.
    Para além da evolução ao nível tecnológico, abordando novos paradigmas para a transmissão de vídeo, será notório o esforço por parte dos provedores de conteúdos para fornecer vídeos com melhor qualidade final para satisfazer as cada vez mais elevadas exigências dos utilizadores.
    Por fim, é de assinalar que a forma de partilha de vídeos pelo Youtube e Vimeo poderá diversificar-se tomando novas formas que tiram partido da massificação de tecnologias de transmissão digital como é o exemplo do Digital Video Broadcast - Handheld (DVB-H) e do DVB for IP Datacasting (DVB-IPDC).
    Mudando o modelo de negócio, e agindo cada vez mais como cadeias de televisão o Youtube tirando partido do DVB-H e DVB-IPDC, serão capazes de transmitir video em boa qualidade para dispositivos móveis sem estarem dependentes da arquitectura básica da internet.