Modelo de Negócios
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Antes da aquisição por parte da Google, a YouTube declarou que o seu modelo de negócio era baseado em anúncios publicitários, gerando 15 milhões de dólares por ano. Apesar destas declarações, alguns comentadores estimaram que o custo de largura de banda poderia chegar aos 6 milhões de dólares por mês, dando assim voz aos críticos de que a companhia não tinha um modelo de negócio viável. Os anúncios publicitários foram lançados no início de Março de 2006 de forma a gerar capital. Em Abril, o YouTube começou a utilizar o AdSense da Google, um serviço de anúncios publicitários, tendo posteriormente deixado de o utilizar, mantendo-o, no entanto, nalgumas regiões.
De facto, a YouTube estava longe de ser uma empresa com lucros, mesmo aquando da aquisição por parte da Google. Estima-se que tenha gerado apenas 5 milhões de dólares durante os primeiros 18 meses, apesar de ter gerado 2.5 milhões durante o mês de Agosto de 2006, talvez por isso tenha despertado a atenção da Google. O site divulgou ter lucrado mais de 575 mil dólares durante esse mês, tirando as despesas de operação mensais. Na realidade registou-se que estiveram 100 mil dólares abaixo da margem de lucro, números radicalmente melhores do que aos quais se vinham a habituando. Inicialmente, a Google tentou colmatar a falta de lucro com uma política agressiva de fazer crescer o site. Tendo isto em mente o CEO da Google, Eric Schmidt, delegou o objectivo de atingir 1 bilião de visualizações diárias, ordem que perdurou até ao início de 2008, quando decidiu focar-se noutras políticas de negócio. Apesar da quantidade colossal de visualizações, as grandes companhias de anúncios publicitários continuavam relutantes em investir neste meio. De facto, no ano de 2008, apenas 10.2% do capital total investido em anúncios publicitários foi investido na Internet.
Distribuição de capital em anúncios publicitários, pelos vários meios. A litigação de direitos de autor complicou em muito a génese de lucros. A Viacom Inc. chegou mesmo a processar a Google, devido a excertos de programas de televisão serem carregados para o website sem autorização . Embora a Google tenha argumentado que não foram infringidas leis de direito de autor, esta acção retirou-lhes uma quantidade substancial de vídeos passíveis de serem publicados, e com isto, menor oportunidade de negócio. Note-se que estes vídeos poderiam ser utilizados para gerar capital através de anúncios, acrescendo o facto de serem vídeos requisitados pelo utilizador comum, isto é, susceptíveis de serem visualizados um maior número de vezes do que o vídeo habitual.
Exemplo de como os anúncios são mostrados numa página do YouTube. Desde aí a YouTube focou-se em adquirir o maior número possível de vídeos passíveis de serem visualizados legalmente. Daí surgiu a necessidade de colaborar com um vasto número de companhias nas áreas da música, televisão, cinema. A colaboração com NBC a Universal, Sony Pictures e Warner Bros, é disso um exemplo, o que impulsionou o serviço YouTube rentals, no qual o utilizador pode alugar filmes por uma quantia razoável por um período de 48 horas. Além destes serviços específicos, a YouTube disponibiliza também canais nos quais estas empresas podem difundir os seus conteúdos. Com isto, a YouTube esperava atingir um número elevado de visualizações, gerando lucros através dos anúncios e ao mesmo tempo aumentar a sua credibilidade junto das principais agências publicitárias. Houve também o cuidado de dar enfase a produtos criados especificamente para serem divulgados no YouTube. Para isso contrataram Robert Kync da Nextflix (uma empresa que providencia serviços de media streaming on-demand).
Robert Kync A sua função prende-se essencialmente com o estabelecimento e gestão de "partnerships" com produtores de Hollywood, oferecendo-lhes capital, poucos custos de produção e flexibilidade. Estes produtores sentem-se atraídos pela oportunidade, mesmo os mais bem estabelecidos, pois gozam de uma liberdade criativa que não têm nos grandes canais de televisão. No YouTube podem experimentar e gozar de todo um novo conceito. Entre a lista de produtores e artistas encontram-se nomes como Jay-Z, Madonna, Disney, the Onion, Amy Poehler, Tony Hawk and Anthony Zuiker (o criador do CSI) . A YouTube paga também royalties pela utilização de conteúdos às companhias correspondentes. Usa-se, por exemplo, tecnologia de audio fingerprinting para identificar canções em videos e software para calcular o número de vezes que foi carregada, a fim de calcular as royalties a pagar . Mark Mahaney, analista da Citi, estimou os rendimentos da YouTube em aproximadamente 825 milhões de dólares em 2010, com previsões de crescimento em 2011 (1.3 biliões de dólares) e 2012 (1.7 biliões de dólares).
Estimativa de rendimentos da YouTube.
Resumindo, o modelo de negócio da YouTube assenta num paradigma de anúncios publicitários. O principal problema tem sido convencer as agências publicitárias a investir o seu capital na Internet. Para isto a YouTube tem tentado aumentar o número e qualidade de colaborações e de visualizações, por forma a atingir uma maior notoriedade e credibilidade junto destas agências. Apesar o esforço a YouTube revela-se uma empresa não lucrativa, mas com perspectiva de melhoras.
Descrição gráfica do modelo de negócios. |