A TDT é a implementação de um sistema digital num suporte que estava praticamente estagnado à décadas. Permite uma significativa melhoria na qualidade de imagem/som e a introdução de novos serviços, transmitindo ao utilizador uma sensação mais emergente. Trata-se de uma evolução não só técnica como sociológica, dado que, mesmo o utilizador comum, já pretende mais de uma emissão televisiva do que a passiva observação da transição de imagens e som.
Considerando os recentes desenvolvimentos perspectivando uma rápida implementação e a tecnologia de codificação utilizada (MPEG-4) Portugal requalifica-se numa corrida que aparentemente estava muito atrasada e sem rumo.
O método de modulação COFDM utilizado da norma DVB-T, apresenta-se como bastante robusto a interferências e é muito utilizado em modulações de sinais digitais. As capacidades de compressão da norma MPEG-4 permitem uma utilização mais eficiente do espectro e a introdução de mais canais/serviços na mesma largura de banda.
Graças ao estipulamento da Comissão Europeia para efectuar o switch off da rede analógica em 2012 está a decorrer uma enorme operação de instalação de equipamento e infraestruturas para possibilitar o cobertura total do pais até 2010.
Apesar do grande esforço de regulamentação e diversos estudos efectuados ainda persistem algumas questões pertinentes e aspectos sócio-económicos por definir. O ponto principal prende-se com a necessidade de aquisição de um descodificador. Dado que Portugal apresenta uma grande disparidade em termos de capacidade económica, corre-se o risco de promover a info-exclusão num serviço fundamental para os sectores mais vulneráveis da sociedade. Urge definir os apoios dados pelo Governo para prevenir estas situações.
Outra questão pertinente prende-se com as dúvidas que ainda persistem sobre a viabilidade do modelo de negócio adoptado. Dada a capacidade reduzida de canais e serviços na componente “aberta” MUX-A e o diminuto mercado publicitário português a TDT poderá se tornar inviável economicamente.
Trata-se de um salto tecnológico inevitável num segmento que presentemente se encontra com bastante concorrência, mas se houver um bom aproveitamento/publicitação das suas vantagens e houver desenvolvimento para os serviços disponibilizados, poderá encontrar o seu espaço no mercado.
Links
[1] http://tdt.telecom.pt
[2] http://www.anacom.pt
[3] http://www.dvb.org
[4] http://tvdigital.wordpress.com/2007/04/30/numeros-da-tdt-na-europa
[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_terrestrial_television
[6] http://www.digitag.org/
[7] ETSI TR 101 190 v.1.2.1 - Digital Video Broadcasting (DVB); Implementation guidelines for DVB terrestrial services; Transmission aspects |