IPTV - Uma visão geral 

Arquitectura

Arquitectura de Rede

       Existem várias visões de arquitecturas do serviço IPTV. Neste site analisamos a solução da ITU-T, que se apresenta na figura seguinte.

       As quatro secções em que se divide a arquitectura são:

  • Content Provider: entidade que possui ou está licenciada para vender os conteúdos.
  • Service Provider: adquire os conteúdos do prestador de conteúdos e coloca-os num pacote como um serviço para o consumidor. Basicamente é a entidade que fornece o serviço IPTV para o utilizador final.
  • Network Provider: entidade responsável pela ligação entre o Customer e o Service Provider.
  • Customer: entidade que consome e paga pelo serviço.
 

Arquitectura do Serviço

        Neste tópico serão abordadas algumas das partes mais importantes da arquitectura de serviço IPTV:

 

Head-end

        O head-end é uma das peças fulcrais dentro da arquitectura do serviço IPTV. Tem a função de receber o conteúdo proveniente de diversas fontes, como via satélite, via terrestre ou ainda usando uma ligação dedicada como por exemplo fibra óptica. Depois de capturados os sinais, processa e codifica de acordo com padrões de compressão pré-estabelecidos, por exemplo MPEG-2, MPEG-4 encapsulando posteriormente sobre IP, usando por exemplo o protocolo Real Time Protocol (RTP). Assim os sinais estão disponíveis a distribuir pela rede.

        Podem ser considerados dois tipos de sistemas head-end, recepção e processamento de sinais.

        Recepção

        Um head-end de recepção inclui um elemento de captação de sinal e um receptor, e pode ser dividido tendo em conta o meio pelo qual o sinal é recebido:

  • Via Satélite: inclui as antenas dedicadas a receber os sinais vindos via satélite.
  • Via Terrestre: inclui as antenas VHF/UHF e splitters para levar o sinal recebido até aos receptores.
  • Via ligação dedicada: existe a possibilidade de receber sinais em ligação dedicada, em geral utilizando fibra óptica.

        Processamento

        Após os sinais serem recebidos, estes vão ser processados e codificados para serem transmitidos (broadcast) ou armazenados (VOD).

        Para codificar e comprimir o conteúdo recebido segundo padrões de compressão definidos pela operadora são usados codificadores. O padrão de codificação mais usado é definido pelo grupo Moving Picture Experts Group (MPEG). Dentro deste os padrões mais utilizados são MPEG-2, MPEG-4, e mais recentemente o MPEG-4 Advanced Video Coding conhecido também como H.264 que oferece melhor compressão que os restantes. As melhorias[1] deste em relação ao MPEG-2, está na estimação do vector de movimentos que é mais precisa, na redução da redundância espacial pois usa uma transformada inteira ao invés da DCT, tem um maior número de niveis de quantização e usa uma codificação mais complexa.

        O padrão de codificação MPEG utiliza vários tipos de frames para construir o stream de vídeo e realizar a compressão:

  • Intra Frames(I): a compressão é feita tendo em conta as informações nessa frame, não precisando de nenhuma outra frame para se reconstruir.
  • Predicted Frames (P): a compressão é feita tendo em conta as informações nessa frame e na ultima frame I ou P.
  • Bi-directional Predicted Frames (B): a compressão é feita tendo em conta os dados da ultima frame I ou P e da próxima frame I ou P.

        Um conjunto de frames I, P e B forma um Group of Pictures, que obrigatoriamente tem uma frame I, e pode ter ou não frames P e B. O tamanho das frames, o intervalo entre elas e a quantidade de frames determina a taxa de compressão do vídeo.

        Na tabela seguinte está representada uma comparação de desempenho entre MPEG-2 e H.264 para uma definição standard (SDTV) e para alta definição (HDTV).

Qualidade MPEG-2 H.264
SDTV 2,5 Mbps 1,5-1,8 Mbps
HDTV 12 Mbps 6-9 Mbps

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Middleware

        O middleware é um elemento de software e é considerado a peça mais crítica de um sistema IPTV. É a componente responsável pela interligação das diversas partes do sistema, sendo também responsável pela inteligência do serviço.

        O middleware é um conjunto de aplicações que envolve quatro áreas:

  • experiência do serviço do utilizador;
  • definição dos serviços, pacotes e preços;
  • interface com outros blocos da solução;
  • gerir transacções, conteúdos de média, dispositivos e assinantes.

        Algumas das funções suportadas pelo middleware são:

  • Para a operadora: Application Programming Interface (API); elaboração de relatórios; integração com sistemas de segurança; kit de desenvolvimento de software; gestão do serviço; gestão de clientes; gestão de conteúdo; estratégia de distribuição, entre outras.
  • Para o cliente: Electronic Program Guide (EPG); apresentação e interactiviade dos serviços (por exemplo, VOD); informação de programação; informações da conta do cliente; apresentação e interactividade de serviços integrados como por exemplo, videotelefone e identificador de chamadas.

        Dentro das funções para o cliente o EPG é das mais atractivas, pois oferece a interface gráfica de navegação do utilizador ao longo dos guias de programação explorando funcionalidades e aplicações disponíveis. O EPG promove a interactividade, sendo um dos principais responsáveis pela experiência do utilizador na utilização do serviço.

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Digital Rights Management

        A segurança do conteúdo é um requisito fundamental para que um serviço de IPTV seja viável.

        Nos sistemas tradicionais de televisão, estes estão focalizados apenas no conteúdo em trânsito, e não o conteúdo armazenado. Utilizam autenticação essencialmente baseada em smart cards instalados na set-top box.

        No contexto do serviço de IPTV a protecção do conteúdo vai também para a protecção do conteúdo de vídeo armazenado ao longo da infra-estrutura, seja nos servidores da operadora ou nas dependências do utilizador do serviço. Surge então uma necessidade de soluções mais amplas e que se denominam Digital Rights Management (DRM).

        O DRM tem como objectivo, o controlo de acesso, contabilização de utilização, controlo de cópia, autenticidade da fonte, confidencialidade e disponibilidade do conteúdo protegido. Independentemente do conteúdo estar armazenado ou estar a ser transmitido, o DRM oferece um conjunto de soluções para prevenir a sua pirataria. As regras de utilização do conteúdo que o DRM aplica evitam que este possa ser usado de forma ilegal mesmo depois de ser entregue. Tais regras podem incluir a data limite para visualização do conteúdo, o número de vezes que ele pode ser visto ou mesmo o número de vezes que pode ser copiado.

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Servidores Vídeo on-demand

        Estes servidores são responsáveis por armazenar e disponibilizar conteúdo on demand para o cliente. Têm alta capacidade de armazenamento e suportam elevado número de streams de vídeo simultâneos.

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Set-top box

        O set-top box é o componente que o utilizador necessita para a interface entre o sistema de IPTV e os aparelhos de visualização, como por exemplo a televisão. Permite por exemplo mudar de canal e controlar as funçoes de display.

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