Campanhas contra a DRM da Apple

A crescente facilidade de transferência de ficheiros na Internet levou a que os clientes do iTunes e/ou do iPod/iPhone se sentissem cada vez mais apertados pelas imposições do FairPlay. Cada vez faziam menos sentido estes dois cenários:

1 - Obrigatoriedade de possuir leitor Apple para desfrutar da música comprada no iTunes;

2 - Impossibilidade de transferir para um leitor Apple música comprada em lojas online concorrentes do iTunes, da qual se destacou a Rhapsody, da RealNetworks.

Sucederam-se na Internet campanhas atrás de campanhas em prol da liberalização do mercado Apple. A Microsoft entrou no jogo ao lançar a sua própria técnica de DRM: a “Plays For Sure”. Porém, os mesmos problemas de interoperabilidade fizeram-se notar. A gigante retalhista Wal-Mart chegou a interromper as vendas de iPods, com a esperança que a Apple sentisse no bolso a quebra no income, recuando ao ponto de licenciar o FairPlay para a loja online da Wal-Mart: a Wal-Mart Music Store. Os consumidores simplesmente continuaram a comprar iPods noutros estabelecimentos comerciais, o que levou a Wal-Mart a voltar a vender os leitores da Apple, informando os seus clientes que o mesmo não poderia ler conteúdos comprados na Wal-Mart Music Store.

Neste combate destacou-se a Freedom of Music Choice Campaign [9], da qual hoje só restam memórias e um cantinho nostálgico no Archive.org. A ideia dominante era o império iPod/iTunes que surgiu quando a Apple se apercebeu que havia um mercado potencial de música online legal. Esta campanha angariou apoios que mostravam descontentamento com a inflexibilidade da Apple na questão do licenciamento do FairPlay para outras lojas online e leitores de música portáteis [4]. Um esquema para o mercado idealizado pela Freedom of Music Choice está presente na Figura 4.

Figura 4 – mercado com licenciamento do FairPlay

Por detrás desta campanha estava uma concorrente da Apple: a RealNetworks. O caso tornou-se sério quando a Apple descobriu que a RealNetworks tinha conseguido descodificar o FairPlay em 2004, criando a sua própria DRM – a Harmony – que permitiu aos utilizadores transferir para o iPod conteúdos adquiridos na Rhapsody, a loja online da RealNetworks. Esta “abertura” foi recebida com ânimo entre os consumidores, no entanto a empresa de Steve Jobs mostrou-se publicamente boquiaberta com, citamos, “as tácticas hackers da Real”, alertando os utilizadores de iPods que brevemente tornariam inviável a compatibilidade entre a DRM Harmony e os seus leitores, numa eventual actualização do firmware. Estaria de volta a não-interoperabilidade.