Um novo e determinante meio de comunicação está a mudar a forma como as pessoas se relacionam. Alguns defendem que o YouTube seja capaz de fazer renascer os próprios valores do Homem, exaltando e intensificando emoções e sentimentos como aqueles vividos “no mundo real”.
O principal motivo por detrás deste “furor social” está fortemente associado à liberdade de expressão e à igualdade de direitos que os utilizadores do YouTube podem encontrar. Nestas circunstâncias, criam-se as condições necessárias para que qualquer um consiga quebrar as fronteiras da timidez e da imaginação, enfrentando uma simples webcam, telemóvel ou outras tecnologias de gravação de vídeo. Independentemente do tema abordado pelo vídeo de um utilizador, este terá a oportunidade de concorrer num mesmo pé de igualdade com outro utilizador ou até mesmo uma celebridade.
Neste contexto, a natureza dos conteúdos passa a ser ilimitada, quase tudo se pode encontrar no YouTube. Mais uma barreira de interactividade foi quebrada e este é o produto ideal que os cibernautas projectaram, partindo do pressuposto que cada um construiu a mudança no mundo que gostava de ver.
Aspectos Legais
A censura na Internet não é nada de novo, até porque desde á muito tempo que em países sob regimes ditatoriais como Irão, Arábia Saudita e China, o praticam. O estado exerce um controlo rígido sobre os ISP’s, obrigando-os a instalar filtros que impeçam o acesso da população ao conteúdo considerado como impróprio aos costumes ou mesmo contrário ao regime. No entanto, a censura de conteúdos no YouTube assume contornos completamente diferentes.
No meio dos milhões de utilizadores do YouTube, são poucos os que têm consciência dos problemas que este já gerou e pode vir a gerar. É verdade que a liberdade de expressão abre as portas à imaginação, mas nem todas conduzem a situações eticamente correctas, como é o caso da exposição não consentida da vida íntima de terceiros. Um caso mediático é o do casal Daniella Cicarelli e Renato Malzoni que viram a sua vida íntima exposta no YouTube. O tribunal exigiu que todos os respectivos vídeos fossem removidos. A dificuldade da equipa do YouTube em executar o pedido, devido à dimensão do problema, levou com que este fosse banido por todos os ISPs Brasileiros.
Imagem 7: Caso Daniella Cicarelli Vs YouTube.
Este é um problema relativamente recente para os sistemas judiciais de cada país. Ainda pouco se sabe como lidar com estas situações, até porque as fronteiras internacionais levantam problemas de jurisdição. Como se não bastasse, países como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos têm leis que impedem que uma entidade tecnológica seja alvo de queixas que atentem à divulgação de conteúdo digital ou mesmo que seja responsabilizada por conteúdos que lhes seja alheio, respectivamente.
Prevendo já este tipo de situações, assim que Google adquiriu o YouTube, este anunciou a disponibilização de um fundo no valor de 220 milhões de dólares para cobrir as despesas de indemnizações. Numa tentativa de minimizar um problema semelhante, relacionado com os direitos de autor, têm sido efectuados vários acordos com as grandes produtoras de conteúdos digitais a fim da legalizar os direitos de transmissão.
Por fim, e não menos interessante, é o crescimento de casos judiciais que têm usado como fonte de prova os vídeos que apareceram no YouTube. O caso mais emblemático foi o da condenação de 2 agentes policiais, acusados de terem espancado um alegado suspeito, após um vídeo ter sido divulgado no YouTube.

Aspectos Políticos
Ultimamente temos vindo a assistir à proliferação de conteúdos políticos no YouTube. Desde candidatos que divulgam os seus próprios vídeos de campanha eleitoral até aos vídeos com debates sobre questões mediáticas como a guerra no Iraque ou o aquecimento global, tudo se encontra. Têm mesmo sido publicados vídeos que têm conseguido expor as condições desumanas dos povos que vivem em regimes fechados como o da Coreia do Norte ou mesmo a verdadeira face da guerra do Iraque, sem ser sujeita a manipulações dos média e do governo.
Imagem 8: Os vídeos da concretização da sentença de morte de Sadam Hussein surgiram no YouTube.
No entanto, poderemos afirmar com toda a certeza que os maiores produtores de conteúdo político são os próprios utilizadores e não os políticos. A liberdade de expressão permitiu que florescesse a critica, o debate e a troca de opiniões, até mesmo no ceio de grupos activistas que encontraram no YouTube o meio ideal para a difusão dos seus ideais. Está assim aberta uma praça pública onde qualquer pessoa é
livre de participar e exprimir a sua opinião, seja quais forem as suas consequências.
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