Dadas as limitações ao nível da rede de
distribuição, as soluções de IPTV
estão altamente dependentes da utilização de bons
codificadores de vídeo. Esta é a razão principal
para que os serviços de vídeo digital tenham sido os
últimos a ser oferecidos neste tipo de redes. Um vídeo em
PCM (Pulse Code Modulation) necessita de um débito de tal
maneira elevado que nunca seria considerado para
distribuição generalizada através das redes
já existentes. Por isso, surge a necessidade de utilizar
codificadores de fonte que permitam obter uma boa qualidade dos
conteúdos ao mesmo tempo que diminuem fortemente os
débitos necessários para a sua transmissão. Neste
sentido, a norma MPEG-2 veio permitir a generalização da
televisão digital por conseguir cumprir os requisitos
atrás enunciados. Mais recentemente, a norma MPEG-4/H.264 AVC
(Advanced Video Coding) veio trazer alguns benefícios que a
tornam especialmente indicada para a oferta do serviço de IPTV.
A utilização de codificadores MPEG-2 surgiu como uma
das primeiras soluções ao nível do codificador de
fonte a ser utilizado no Head-End. Esta permite, actualmente,
débitos binários na ordem dos 3Mbps [5] (para
televisão de resolução normal) que são
comportáveis utilizando as redes de acesso ADSL. Para
além disso tem sido vastamente utilizada ao longo dos
últimos anos pelos fornecedores e distribuidores de
conteúdos de vídeo digital, pelo que é considerada
uma tecnologia madura.
No entanto, a recente norma H.264/MPEG-4 Part 10 define um
codificador de vídeo (AVC) cujos principais objectivos o tornam
particularmente interessante para IPTV:
O codificador AVC fornece, para soluções IPTV, um
conjunto de vantagens que o tornam uma melhor escolha em
relação a outros codificadores. A primeira prende-se com
os maiores factores de compressão para a mesma qualidade, sendo
que em relação a MPEG-2 representam cerca de metade do
débito (o ganho é menor em relação a MPEG-4
Part 2, ASP). Por um lado, a utilização deste codificador
de fonte permite fornecer um maior número de canais para a mesma
ligação de acesso (Fig. 3).
Figura 3 – Comparação de débitos
Por outro, permite fornecer o serviço IPTV a clientes com
ligações de acesso de débitos menores, aumentando
a cobertura do serviço (Fig. 4).
Figura 4 – Cobertura do serviço (Fonte: Envivio, Inc., 2003)
A incorporação da camada de abstracção
da rede (NAL) oferece flexibilidade ao nível do transporte,
permitindo a utilização de diferentes
soluções de distribuição do vídeo.
Adicionalmente, possui mecanismos de resistência a erros que
são úteis num cenário de perdas na rede. Alguns
destes aspectos irão ser abordados no capítulo 4,
referente ao transporte de vídeo em redes IP.
De forma a garantir os requisitos enunciados no capítulo 2,
principalmente o conceito de Vídeo Multiplexado e a
possibilidade de rapidamente mudar de canal, definiu-se que a
difusão de canais seria efectuada em modo multicast. Dado que
seria também vantajoso para o fornecedor de serviço poder
especificar a quem e como seriam os dados enviados, foi escolhido o
Internet Group Multicast Protocol (IGMP) como protocolo de
gestão de grupos [6].
Para o IGMP, cada Set Top Box sintonizada para um canal pertence a
um determinado grupo, sendo que quando muda de canal, o que no fundo
faz, é mudar de grupo. Nesta lógica de grupos torna-se
então possível fazer zapping não possuindo
localmente todos os canais em simultâneo. Na
comunicação IGMP o BSR, é fornecedor do
serviço em multicast, o Routing Gateway (RG) agrega os
vários pedidos dos clientes e a STB é o cliente que
efectua os pedidos IGMP. O papel do DSLAM de ponte entre o RG e o BSR,
podendo ter um papel activo, funcionando como proxy-IGMP, melhorando o
processo de mudança de canal.
Nas três versões que existem do IGMP, são usadas
em IPTV a v3 e, tipicamente, a v2. Podem-se definir 3 conceitos
fundamentais na troca de mensagens da STB, o cliente IGMP, para o BSR,
o router IGMP:
Apesar de as mensagens diferirem entre as versões do protocolo, as funções mantém-se. As diferenças existentes entre as duas versões utilizadas em IPTV prendem-se pelo tipo de rede e pela possibilidade de agrupar ou não mensagens. Enquanto que o IGMPv2 se destina a redes Any Source Multicast (ASM), nas quais é possível receber dados de qualquer dispositivo na rede, o que se pode tornar numa vulnerabilidade, no IGMPv3 por sua vez opta-se por uma rede SSM (Single Source Multicast), na qual só aparelhos específicos podem enviar dados. Já ao nível do agrupamento de mensagens, na 3ª versão é possível agrupar mensagens de forma a eliminar o overhead existente na 2ª versão no envio de um LEAVE seguido de um JOIN, tal como mostra a figura 5.
Figura 5 - Exemplo de interacção em IGMPv3