Como foi apresentado anteriormente a utilização de um
codificador H.264/MPEG-4 AVC possui algumas vantagens em
relação às restantes alternativas. Assim
ir-se-á, neste capítulo, abordar algumas das
soluções para transporte de vídeo codificado em
AVC sobre redes IP.
Uma vez que as primeiras soluções de IPTV se basearam
na norma MPEG-2, foram utilizadas para o transporte as tramas MPEG-2
Sistema encapsuladas no stack de protocolos IP. Quer o codificador de
áudio quer o de vídeo produzem Packetized Elementary
Streams (PES) que, por sua vez, são multiplexados em conjunto
com informação de programa em tramas de transporte de 188
bytes (Figura 6).
Figura 6 – Elementos básicos da arquitectura
Para o encapsulamento em protocolos do stack IP é normalmente
usado UDP como protocolo de transporte devido aos requisitos de tempo
real do serviço. Cada datagrama UDP contém várias
tramas TS consoante o MTU (Maximum Transmission Unit). Para além
de acrescentar um overhead na comunicação, este facto
terá implicações na robustez do método de
transporte em relação aos erros.[7] Uma melhor
alternativa para efectuar o transporte de vídeo em redes IP
consiste em utilizar protocolos nativos do mundo IP como é o
caso do protocolo RTP (Real-time transport protocol) [8] que iremos ver
de seguida.
A partir do momento em que, ao contrário do que acontece em
sistemas de broadcast baseados em MPEG-2, se utilizam redes IP para a
distribuição, é possível tirar partido da
bidireccionalidade da comunicação de forma a que cada
cliente possa pedir os conteúdos que pretende. Desta maneira,
grande parte das tarefas de multiplexagem de diferentes canais em
tramas TS (que é efectuado pelo MPEG-2) tornam-se
desnecessárias. Para além disso a própria
sincronização do áudio e vídeo pode ser
efectuada à custa de protocolos baseados em IP como é o
caso do protocolo RTP.[9]
As principais vantagens de utilizar este protocolo para o transporte
de vídeo são: por um lado, o menor overhead na
comunicação e, por outro, a possibilidade de associar as
unidades NAL (resultantes da codificação) em pacotes RTP
independentes, permitindo tirar partido das funcionalidades que a
camada NAL disponibiliza. Uma outra vantagem prende-se com a maior
adaptabilidade do débito/qualidade do vídeo que a
utilização de um protocolo de controlo como o RTCP
(Real-Time Control Protocol), que funciona em conjunto com o RTP,
permite. Em concreto, é possível através da
monitorização das perdas e erros na transmissão,
adaptar essa qualidade, tirando partido dos mecanismos de
codificação escalável que a norma permite.