MODELO DE NEGÓCIO

Como foi visto na secção técnica, o vídeo digital com mais do que uma vista exige muito mais recursos, pelo que as técnicas de compressão enunciadas vieram dar uma boa ajuda à gravação e à transmissão do 3D. Com esta facilidade, apareceram dois principais ramos de negócio distintos na distribuição deste tipo de conteúdos – no cinema e em casa. Naturalmente que as empresas de ecrãs reagiram e lançaram-se no mercado, pelo que, actualmente se testemunha um grande investimento nas tecnologias dos displays 3D por parte das marcas ligadas ao ramo.


No Cinema


Em 1994, James Cameron começou a escrever o filme Avatar, planeando-se a sua realização em 1999. Contudo, segundo Cameron, a tecnologia necessária ainda não estava disponível para a concretizar sua visão do filme [12]. Em 2009, foi finalmente lançado o filme, com uma imersividade nunca antes vista em cinema. Avatar tinha acabado de lançar a moda do 3D de alta qualidade. Até aí, os filmes disponibilizados a três dimensões, devido à sua qualidade limitada, ainda não tinham convencido o grande público.


O filme Avatar registou o maior retorno financeiro de sempre, pelo que a indústria cinematográfica começou a investir cada vez mais na tecnologia 3D. Na Tabela 1, registam-se os melhores resultados de bilheteira de sempre nos Estados Unidos da América.

Dos filmes apresentados na Tabela 1, quatro destes foram disponibilizados em 3D, e dois deles estão no Top-3 de vendas: Avatar e Os Vingadores. Isto mostra a revolução que o 3D tornou possível na indústria de Hoolywood, e justifica os fortes investimentos nesta tecnologia.

Apesar dos preços dos bilhetes 3D serem superiores aos bilhetes normais, conforme se pode verificar na Tabela 2,existe, actualmente, uma grande procura da parte do público, o que impulsiona a contínua aposta neste tipo de conteúdos.


Tabela 1 – Tabela extraída do Internet Movie Data Base (IMDB), com o ranking dos 16 filmes com melhores resultados de bilheteira de sempre .


Note-se que a grande maioria dos filmes que é disponibilizado nesta versão, são os filmes de animação, visto que são mais fáceis de processar digitalmente e não envolvem todo um conjunto de infra-estruturas e técnicas de filmagem para uma realização especial 3D de um filme “real”.


Em Casa

A. Blu-ray Disc

Como resposta ao sucesso do 3D nos cinemas, o mercado exigia também a mesma possibilidade em casa. A Blu-ray Disc Association (BDA) anuncia, então, em Dezembro de 2009, a adesão à tecnologia de codificação MVC para filmes 3D de alta-definição. Estes utilizam o perfil Stereo High específico da norma. Através desta alternativa - eficiente e com compatibilidade inversa para os players antigos de H.264/AVC - foi fácil aparecerem rapidamente os filmes Blu-Ray 3D.

A possibilidade da experiência imersiva do 3D, nomeadamente na visualização de filmes, que antigamente só era vivida em cinema, tornou-se, então, posteriormente possível para os possuidores de ecrãs estereoscópicos. Os filmes 3D começaram a ser comercializados, sendo que os utilizadores com os leitores antigos de Blu-Ray descodificam a informação estereoscópica, descartando a segunda vista.

Esta vertente aumenta, sem dúvida, as potencialidades do Blu-Ray, tornando os seus produtos mais atractivos, sem que haja perturbações na penetração do mercado, devido ao fácil upgrade do codec e à sua compatibilidade inversa. Sendo assim, é de esperar que os retornos financeiros, teoricamente, sejam no mínimo iguais ou maiores aos do Blu-Ray Disc usual.

Em suma, o ramo de negócio do Blu-Ray é maioritariamente direccionado para a gravação de filmes, onde a visualização 3D, para determinados conteúdos, tem realmente um acrescento de valor na qualidade da experiência.





B. Televisão Digital

Enquanto que na indústria cinematográfica a produção de conteúdo 3D tem justificado o investimento, já na televisão digital a sua implantação no mercado tem sido mais lenta. De facto, nem todos os conteúdos televisivos são atractivos a três dimensões. Programas de informação, entrevistas, entre outros, não fazem qualquer sentido serem visualizados em 3D. Outro aspecto a ter em conta, é o facto da produção para este tipo de conteúdos ser mais dispendiosa e tecnicamente diferente, o que implica mais investimento por parte das produtoras.

Apesar das adversidades, tudo indica que o mercado do 3D em casa, através da televisão digital, ainda tem muito para crescer. Alguns países já têm canais premium 3D, em 6 dos quais emitem essencialmente desporto e filmes, conteúdos onde a imersividade na visualização é muito apreciada.


Tipos de Ecrãs

Assiste-se a uma grande evolução na tecnologia dos ecrãs nos últimos anos. Nomeadamente na televisão, houve um primeiro salto dos televisores de tubos de raios catódicos para ecrãs Plasma, LCD’s e ecrãs de LED, a par de uma passagem para a alta definição, e agora o aparecimento das Smart TV’s ou 3DTV’s. Naturalmente que as marcas de displays quiseram acompanhar o entusiasmo do conteúdo 3D nos cinemas, respondendo ao mercado com novas ofertas neste sentido. Note-se que, dependendo das tecnologias usadas, grande parte das salas de cinema também tiveram que investir em melhorias nas suas infra-estruturas para acolher o 3D. Nesta subsecção, é feita uma pequena abordagem sobre a tecnologia presente nos diferentes tipos de ecrãs que têm vindo a aparecer no mercado, sem se referir os aspectos sociais que estes implicam.

A sensação de profundidade nos ecrãs, é dada por duas imagens 2D separadas, cada uma entregue a um olho do espectador, respectivamente. Todas as tecnologias de visualização 3D partilham este princípio, apenas diferem no método de multiplexagem das imagens. Pode-se, então, distinguir dois grandes grupos de ecrãs:

A. Estereoscópicos;

B. Auto-estereoscópicos.



A. Ecrãs Estereoscópicos


Estes ecrãs são baseados no uso de óculos. A sua tecnologia, difere no tipo de filtragem que os óculos fazem. Distinguem-se, assim, os seguintes principais sistemas:

- Divisão do comprimento de onda;

- Polarização da luz;

- Obturação da luz.



B. Ecrãs Auto-estereoscópicos


A necessidade do uso de óculos para a visualização de conteúdo estereoscópico, há muito que tem sido apontada como sendo desconfortável para o espectador, além de trazer outro tipo de desvantagens, relacionadas essencialmente com potencial falta de sincronismo dos óculos e o elevado preço, no caso do sistema de obturação da luz. Vários esforços foram feitos no sentido de anular a dependência dos óculos na visualização de conteúdo 3D, pelo que surgiram duas principais soluções:

- Barreira de paralaxe;

- Lentes lenticulares.

Top